quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

"Se sua casa pegasse fogo...


E você pudesse levar apenas uma coisa,o que você levaria?"

Não sei se vocês assistiram um filme chamado Deixe-me viver, mas essa é a pergunta que a mãe da protagonista faz a sua filha. A filha, obviamente, não sabe o que responder, ela é apenas uma criança. Mas, a mãe uma mulher forte tem a resposta na ponta da língua: "se você fosse forte, não levaria nada.".
Escrevo isso porque o meu mais novo pesadelo foi o incêndio da minha casa, bom, da casa ao lado, mas o fogo pegou a minha também. No meu sonho, eu acordei como sempre, e achei que o quarto estava estranhamente quente, eu saí de lá e vi o fogo no telhado do quarto do meu pai, o desespero foi total e a primeira coisa que fiz foi pensar em tirar de casa todos os meus bichinhos, começando pelos coelhos.
Como era um dia de semana eu achei que fosse a única pessoa em casa, não troquei de roupa e de pijamas coloquei os coelhos na gaiola, eram 3, dois meus e uma da minha irmã, a coelha dela estava sangrando e pensei:"ela vai ficar muito triste quando ver você, mas eu não acho que você vá sobreviver...".
Mal tinha colocado os coelhos nas gaiolas, precisei descer a escada pra soltar meu cachorro pois a cozinha tinha explodido e ele estava preso do lado de fora.
Voltei para os meus coelhos e meu vizinho se ofereceu pra tirá-los casa. Foi quando eu vi a bolsa da minha irmã do lado, então, afinal de contas ela não tinha saído de casa. A casa estava em chamas e ela só poderia estar morta...

18 de fevereiro...




Meu aniversário!
Sei que deveria estar mais feliz, mas não vejo motivos pra isso. Quer dizer, há um mês tenho pesadelos estranhos que não me deixam dormir direito. Não vou ver meu namorado no dia no meu aniversário, tenho minhas tarefas domésticas pra fazer, tenho aula de dp hoje a noite, problemas que não são meus mas me afetam diretamente e ainda por cima vou ter que fazer meu próprio brigadeiro!!
Isso sem contar, é claro, que estou ficando cada dia mais velha...
Geralmente, eu fico feliz no meu aniversário, mas esse ano eu não vejo o que comemorar...
É por isso que não ando escrevendo muito por aqui, não é por falta de tempo, pois nem trabalho, é falta de vontade mesmo...
Mas vou me fazer muitos brigadeiro, porque ainda assim é meu aniversário e eu amo brigadeiro!!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Ausência (Carlos Drummond de Andrade)


Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

A um ausente (Carlos Drummond de Andrade)


Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enloqueceu, enloquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Destruição (Carlos Drummond de Andrade)



Os amantes se amam cruelmente
e com se amarem tanto não se vêem.
Um se beija no outro, refletido.
Dois amantes que são? Dois inimigos.

Amantes são meninos estragados
pelo mimo de amar: e não percebem
quanto se pulverizam no enlaçar-se,
e como o que era mundo volve a nada.

Nada. Ninguém. Amor, puro fantasma
que os passeia de leve, assim a cobra
se imprime na lembrança de seu trilho.

E eles quedam mordidos para sempre.
deixaram de existir, mas o existido
continua a doer eternamente.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Olá, estranho! (by Ginger)



Olá estranho, chegou bem na hora
Procuro o seu rosto na multidão
Ou ali fora
Olá estranho, não é hora de partir?
Ver aquela foto se apagando, prestes a cair?
Os brinquedos se perderam
Os dentes de leite caíram
Houve acidentes com arranhões
E outras coisas que sumiram
Boletins foram mostrados, e uma vez adoeci
mas nada que eu não possa dizer que venci
Olá estranho, para você guardei um lugar
E não parece estranho...?
Agora que não vi você chegar!

Bye bye (?) Yuki...

Não, ele não morreu.
Ontem, como em qualquer outro dia, eu fechei a porta do meu quarto, olhei a água e comida do Yuki, a espiga de milho, estava tudo lá, me despedi dele e saí...
Fechei o portão, fiz o mesmo com o Yue e fui almoçar na casa do meu namorado.
Quando cheguei em casa tudo parecia normal, resolvemos levar o Yue pra uma volta, mas antes disso fui trocar de roupa, quando cheguei na lavanderia o Yuki não veio correndo na minha direção.
Procurei por ali e nada. Procurei pelo quintal e nada. Procurei no jardim, nada.
Soltei o Yue pra procurar por ele, nada.
Procurei no meu quarto, nada.
Banheiros, nada.
Quintal dos fundos, nada.
Quintal dos vizinhos, nada.
Suspeito que ele tenha sido roubado, não seria a primeira vez que um bichinho some da minha casa. Mas acho que polícia não ligaria muito pro caso do meu coelho desaparecido..
Ainda está tudo no lugar, como se ele ainda estivesse lá, reluto em pensar que ele não volta, ou apenas está muito bem escondido.