segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Ausência (Carlos Drummond de Andrade)


Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

2 comentários:

Pedro Dias disse...

um tempão sem postar e coloca só uma poesia?

que coisa feia! =D

Sheila disse...

"porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim."

Pois eu queria que a roubassem!

Bjks.