quinta-feira, 23 de abril de 2009

A pequena vendedora de fósforos (Hans Christian Andersen)


A ÚNICA história que eu não conhecia, dentre as mais famosas de Andersen...

Fazia um frio terrível; caía a neve e estava quase escuro; a noite descia: a última noite do ano.
Em meio ao frio e à escuridão uma pobre menininha, de pés no chão e cabeça descoberta, caminhava pelas ruas.
Quando saiu de casa trazia chinelos; mas de nada adiantavam, eram chinelos tão grandes para seus pequenos pézinhos, eram os antigos chinelos de sua mãe.
A menininha os perdera quando escorregara na estrada, onde duas carruagens passaram terrivelmente depressa, sacolejando.
Um dos chinelos não mais foi encontrado, e um menino se apoderara do outro e fugira correndo.
Depois disso a menininha caminhou de pés nus - já vermelhos e roxos de frio.
Dentro de um velho avental carregava alguns fósforos, e um feixinho deles na mão.
Ninguém lhe comprara nenhum naquele dia, e ela não ganhara sequer um níquel.
Tremendo de frio e fome, lá ia quase de rastos a pobre menina, verdadeira imagem da miséria!
Os flocos de neve lhe cobriam os longos cabelos, que lhe caíam sobre o pescoço em lindos cachos; mas agora ela não pensava nisso.
Luzes brilhavam em todas as janelas, e enchia o ar um delicioso cheiro de ganso assado, pois era véspera de Ano-Novo.
Sim: nisso ela pensava!
Numa esquina formada por duas casas, uma das quais avançava mais que a outra, a menininha ficou sentada; levantara os pés, mas sentia um frio ainda maior.
Não ousava voltar para casa sem vender sequer um fósforo e, portanto sem levar um único tostão.
O pai naturalmente a espancaria e, além disso, em casa fazia frio, pois nada tinham como abrigo, exceto um telhado onde o vento assobiava através das frinchas maiores, tapadas com palha e trapos.
Suas mãozinhas estavam duras de frio.
Ah! bem que um fósforo lhe faria bem, se ela pudesse tirar só um do embrulho, riscá-lo na parede e aquecer as mãos à sua luz!
Tirou um: trec! O fósforo lançou faíscas, acendeu-se.
Era uma cálida chama luminosa; parecia uma vela pequenina quando ela o abrigou na mão em concha...
Que luz maravilhosa!
Com aquela chama acesa a menininha imaginava que estava sentada diante de um grande fogão polido, com lustrosa base de cobre, assim como a coifa.
Como o fogo ardia! Como era confortável!
Mas a pequenina chama se apagou, o fogão desapareceu, e ficaram-lhe na mão apenas os restos do fósforo queimado.
Riscou um segundo fósforo.
Ele ardeu, e quando a sua luz caiu em cheio na parede ela se tornou transparente como um véu de gaze, e a menininha pôde enxergar a sala do outro lado. Na mesa se estendia uma toalha branca como a neve e sobre ela havia um brilhante serviço de jantar. O ganso assado fumegava maravilhosamente, recheado de maçãs e ameixas pretas. Ainda mais maravilhoso era ver o ganso saltar da travessa e sair bamboleando em sua direção, com a faca e o garfo espetados no peito!
Então o fósforo se apagou, deixando à sua frente apenas a parede áspera, úmida e fria.
Acendeu outro fósforo, e se viu sentada debaixo de uma linda árvore de Natal. Era maior e mais enfeitada do que a árvore que tinha visto pela porta de vidro do rico negociante. Milhares de velas ardiam nos verdes ramos, e cartões coloridos, iguais aos que se vêem nas papelarias, estavam voltados para ela. A menininha espichou a mão para os cartões, mas nisso o fósforo apagou-se. As luzes do Natal subiam mais altas. Ela as via como se fossem estrelas no céu: uma delas caiu, formando um longo rastilho de fogo.
"Alguém está morrendo", pensou a menininha, pois sua vovozinha, a única pessoa que amara e que agora estava morta, lhe dissera que quando uma estrela cala, uma alma subia para Deus.
Ela riscou outro fósforo na parede; ele se acendeu e, à sua luz, a avozinha da menina apareceu clara e luminosa, muito linda e terna.
- Vovó! - exclamou a criança.
- Oh! leva-me contigo!
Sei que desaparecerás quando o fósforo se apagar!
Dissipar-te-ás, como as cálidas chamas do fogo, a comida fumegante e a grande e maravilhosa árvore de Natal!
E rapidamente acendeu todo o feixe de fósforos, pois queria reter diante da vista sua querida vovó. E os fósforos brilhavam com tanto fulgor que iluminavam mais que a luz do dia. Sua avó nunca lhe parecera grande e tão bela. Tornou a menininha nos braços, e ambas voaram em luminosidade e alegria acima da terra, subindo cada vez mais alto para onde não havia frio nem fome nem preocupações - subindo para Deus.
Mas na esquina das duas casas, encostada na parede, ficou sentada a pobre menininha de rosadas faces e boca sorridente, que a morte enregelara na derradeira noite do ano velho.
O sol do novo ano se levantou sobre um pequeno cadáver.
A criança lá ficou, paralisada, um feixe inteiro de fósforos queimados. - Queria aquecer-se - diziam os passantes.
Porém, ninguém imaginava como era belo o que estavam vendo, nem a glória para onde ela se fora com a avó e a felicidade que sentia no dia do Ano ­Novo.

Eis a animação: "A pequena vendedora de fósforos"

terça-feira, 21 de abril de 2009

A náusea (Sartre)...


"Não tenho o hábito de contar para mim mesmo o que acontece e então me escapa um pouco a sucessão dos acontecimentos, não distingo o que é importante. Mas agora acabou: reli o que escrevi no café Mably e senti vergonha: não quero segredos, nem estados de alma, nem coisas indizíveis; não sou virgem nem padre para brincar de vida interior."


Já que o desânimo e o tédio imperam, vamos a Sartre!

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Tédio... (Mafalda)



É isso aí...

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Desabafo...


Querido Blog,

Ando com preguiça de escrever desde que comecei a trabalhar, sim, ando negligente em relação a você, mas não se sinta mal, ando negligente em relação a muitas coisas.
O Yue que o diga, nunca desde que ele chegou em casa passou tanto tempo sozinho, chora a noite toda, mas como a minha irmã sempre me lembra :só quando eu estou em casa, porque ele só gosta de mim. Como toda ciumenta, eu fiquei feliz da primeira vez que ouvi isso, mas essa felicidade durou 5 minutos. Quer dizer que a felicidade do meu querido Yue depende apenas de mim? Ou apenas que eu dou mais atenção que as outras pessoas e por isso ele tente chamar mais a minha atenção que a dos outros?
Não é que não goste mais do Yue, gosto muito ainda, mas ando muito cansada. Trabalhar seis dias por semana de pé cansa, seis dias por semana sem nada pra fazer cansa mais ainda. É meio entediante, sabe? Mas consigo sorrir e fingir ser simpática...

A Bella foi embora, foi triste, eu não estava em casa na hora que a levaram, mas fiquei triste, não éramos amigas do jeito que eu gostaria, mas mesmo assim eu gostava dela... Ela chegou aqui pequenininha... Tão fofa... Se assustava com tudo, bem, continua se assustando..
Sei que não tinha outro jeito, não queria confinar ela e o Yuki numa gaiola de 80x60x40 ou algo do tipo.

Eu não sei o que vou fazer da minha vida. É um tema recorrente nas minhas meditações, mas apenas porque é o meu GRANDE problema. Desde que a realidade me mostrou que a veterinária não é mais possível eu não sei o que fazer... Quero dizer, sei, mas não sei como fazer. Algumas pessoas ainda me dizem que eu deveria fazer um curso de veterinária, eu sei que se fizesse cursinho passaria, mas ficar o dia todo na faculdade significa que eu não vou trabalhar, não vou ter dinheiro pra um monte de coisas, coisas que geralmente as pessoas da minha idade tem mamãe e papai pra pagar, também significaria não ter tempo pra fazer tudo que deveria fazer em casa, mais coisas que mamãe e papai geralmente fazem. Ah não quero começar uma disputa entre eu e as pessoas que tem mamãe e papai pra fazer tudo porque não fui criada pra isso, mas as vezes, só as vezes, eu queria não ter que lembrar de alimentar a tartaruga, lavar as louças, as roupas, fazer comida, cuidar dos coelhos, cachorros, de mim...