Demorei a entender que eu também sou uma pregadora.
Não só a entender, mas também a aceitar.
Primeiro uma amiga me disse que eu so procurava livros que confirmavam minhas teses, refutei, claro. Disse a ela que eu tinha um leque muito maior de interesses e que não era minha culpa se os outros compravam apenas historinhas bobas de romance pra ler.
Depois outra amiga me chamou de pregadora. Ela me disse que eu pregava muito no facebook.
Oras, acho que uma forma de socialização tão ampla deveria ter também uma função educativa e informativa.
Pregar é aquela palavra me leva aos cultos religiosos em grandes espaços evangélicos.
Daquela pessoa impondo tudo que acredita.
É exatamente isso que eu faço, mas contra os outros.
Contra as Igrejas, contra esse Deus que abandonou a humanidade há tempo, contra esse sistema de educação ultrapassado que nós ensina a seguir um ao outro como ovelhas, contra essas pessoas que são incapazes de olhar para os próprios erros e crescer, contra aqueles que nunca precisarão fazer um aborto, mas são incapazes de se colocar no lugar do outro que vive numa realidade totalmente diferente, contra essas pessoas que acham que uma mulher só será mulher quando casar e tiver filhos, contra essa sociedade onde só os homens tem voz pois fazem de tudo para sufocar uma mulher que pode mais do que qualquer um deles, contra essas pessoas que olha torto uma pessoa com tatuagem e piercing quando levam o troco que o caixa deu errado para casa e dizem que ganharam o dia.
Sim, eu prego, pregarei todos os dias da minha vida contra essa hipocrisia que nos impede de crescer como animais (não gosto desse termo animais, meu cachorro, meu coelho e minha tartaruga ficariam muito bravos se pudessem ler) racionais.
Prego pelo meu direito de ter tatuagem, criar uma besta no meu quintal, falar palavrão em público, acordar meio dia e ainda assim saber que não fiz nada de errado.
Não matei, não estuprei, não roubei e não menti, especialmente para mim mesma.
sexta-feira, 30 de março de 2012
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Um comentário:
Nem esquente em dizer algo para quem não quer ouvir... Para esse povo, melhor que falar é ser.
Não há forma mais eficaz de dizer uma verdade: fazê-la acontecer ao nosso redor.
A convicção se demonstra por ações.
O que a gente pensa é feito açúcar: se eles não experimentarem o que enxergamos, não vai adiantar falar algo a respeito da "doçura".
Nós dois somos muito parecidos, porque também não temo o ostracismo para fazer valer o que me dá paz de consciência.
Beijo nas suas bochechas (de) Mel!
(Não desapareça!)
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