
O Pão de açúcar tem aquela campanha linda, que tem a musiquinha o que faz você feliz?, penso nela toda vez que penso em felicidade. Aí, de novo falando de televisão, estava assistindo House e ele conversou com uma paciente sobre o mundo ser feio. Ela disse que antes do seu transplante de córnea estava quase cega, mas que depois o mundo continuava feio e começou a se questionar se isso, o transplante, poderia mesmo tê-la feito feliz. Ela pergunta pro House se ele seria mais feliz se sua perna melhorasse (o House é manco).
O que me leva a pergunta: O que me faria feliz?
Seria mais feliz se fosse mais magra? Seria mais feliz se tivesse mais dinheiro? Seria mais feliz se tivesse um computador melhor com uma velocidade maior de banda larga? Seria mais feliz se tivesse um guarda-roupas maior e mais cheio? Seria mais feliz se tudo fosse sempre como eu gostaria que fosse?
Não, pra todas as perguntas: não.
Se tivesse tudo isso não daria valor a nada. Só se dá valor as coisas quando se perde.
As coisas que mais desejo agora me são inalcançáveis: desejo de volta tudo aquilo que perdi.
Seria mais feliz se minha irmã estivesse aqui agora, seria mais feliz se meu cachorro voltasse dos mortos, seria mais feliz se tivesse todas aquelas ilusões que me foram arrancadas, seria mais feliz se meu avô estivesse vivo. Ah, sim, não poderia deixar isso passar, hoje foi a missa de um ano do meu avô, por coincidência foi numa semana de felicidade pra mim: alguns dias antes é aniversário do Yue.
Não foi um dia ruim, mas seria muito melhor se ao invés de relembrarmos a morte dele fossemos apenas almoçar com ele. Pensar nos momentos que viriam e não apenas nos que foram.
Pensando na morte do meu avô, cheguei a resposta do que me feria feliz: não perder.
Seria otimo se pudesse colocar todos que gosto dentro de uma caixa e parar o tempo.
Sim! Num único momento, como numa foto. Aí, sim, eu seria feliz.

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