Sou péssima em sinuca, disseram-me que numa dupla eu sou o menos um!! Menos um! Ultrapassei o zero a esquerda!!
Mas nem ligo muito, oras, afinal de contas, se sou ruim não posso piorar e se continuar jogando as chances são que eu melhore. E daí que tem pessoas olhando? Não devo nada a elas para ter vergonha.
Aprendi nos últimos anos que minha felicidade diz respeito a mim e mais ninguém.
Uma coisa que tenho escutado muito na Fatec é "mas todo mundo faz assim". Até hoje não sei direito o que isso quer dizer. Sempre me soa como uma desculpa para fazer as coisas do modo mais chato possível. Sempre lembro do Todo Mundo, aquela personagem do Auto da Barca do inferno, aquele deve ser o famoso Todo Mundo de quem ouço falar.
Não quero ser Todo Mundo, quero ser Ninguém, por que as pessoas insistem em ser Todo Mundo?
Trecho tirado de http://www.portaldafamilia.org.br/artigos/artigo098.shtml
Ninguém: | Que andas tu aí buscando? | Notas de tradução | |||||||||||||||||||
Todo o Mundo: | Mil cousas ando a buscar: delas não posso achar, porém ando porfiando por quão bom é porfiar. | Porfiando: insistindo, teimando. | |||||||||||||||||||
Ninguém: | Como hás nome, cavaleiro? | O verbo haver nestes versos tem o sentido de ter. | |||||||||||||||||||
Todo o Mundo: | Eu hei nome Todo o Mundo e meu tempo todo inteiro sempre é buscar dinheiro e sempre nisto me fundo. | E sempre nisto me fundo: e sempre me baseio neste princípio, nesta idéia. | |||||||||||||||||||
Ninguém: | Eu hei nome Ninguém, e busco a consciência. | ||||||||||||||||||||
Belzebu: | Esta é boa experiência: Dinato, escreve isto bem. | ||||||||||||||||||||
Dinato: | Que escreverei, companheiro? | ||||||||||||||||||||
Belzebu: | Que ninguém busca consciência. e todo o mundo dinheiro. | ||||||||||||||||||||
Ninguém: | E agora que buscas lá? | ||||||||||||||||||||
Todo o Mundo: | Busco honra muito grande. | ||||||||||||||||||||
Ninguém: | E eu virtude, que Deus mande que tope com ela já. | ||||||||||||||||||||
Belzebu: | Outra adição nos acude: escreve logo aí, a fundo, que busca honra todo o mundo e ninguém busca virtude. | Adição: acrescentamento. Acude: ocorre. | |||||||||||||||||||
Ninguém: | Buscas outro mor bem qu'esse? | A palavra mor, muito pouco empregada atualmente, é uma forma abreviada de maior. Poderíamos dizer, pois: buscas outro maior bem... | |||||||||||||||||||
Todo o Mundo: | Busco mais quem me louvasse tudo quanto eu fizesse. | ||||||||||||||||||||
Ninguém: | E eu quem me repreendesse em cada cousa que errasse. | ||||||||||||||||||||
Belzebu: | Escreve mais. | ||||||||||||||||||||
Dinato: | Que tens sabido? | ||||||||||||||||||||
Belzebu: | Que quer em extremo grado todo o mundo ser louvado, e ninguém ser repreendido. | ||||||||||||||||||||
Ninguém: | Buscas mais, amigo meu? | ||||||||||||||||||||
Todo o Mundo: | Busco a vida a quem ma dê. | Ma: me+a. Contração dos pronomes pessoais oblíquos, objeto indireto e direto, respectivamente. | |||||||||||||||||||
Ninguém: | A vida não sei que é, a morte conheço eu. | ||||||||||||||||||||
Belzebu: | Escreve lá outra sorte. | ||||||||||||||||||||
Dinato: | Que sorte? | ||||||||||||||||||||
Belzebu: | Muito garrida: Todo o mundo busca a vida e ninguém conhece a morte. | Garrida: engraçada. | |||||||||||||||||||
Todo o Mundo: | E mais queria o paraíso, sem mo ninguém estorvar. | Mo: me+o. Contração do pronome objeto indireto me com o pronome demonstrativo objeto direto o. Entenda-se no texto: sem ninguém estorvar isto a mim. Estorvar: atrapalhar. | |||||||||||||||||||
Ninguém: | E eu ponho-me a pagar quanto devo para isso. | Ponho: entenda-se: proponho. | |||||||||||||||||||
Belzebu: | Escreve com muito aviso. | ||||||||||||||||||||
Dinato: | Que escreverei? | ||||||||||||||||||||
Belzebu: | Escreve que todo o mundo quer paraíso e ninguém paga o que deve. | ||||||||||||||||||||
Todo o Mundo: | Folgo muito d'enganar, e mentir nasceu comigo. | Folgo: tenho prazer, gosto. | |||||||||||||||||||
Ninguém: | Eu sempre verdade digo sem nunca me desviar. | ||||||||||||||||||||
Belzebu: | Ora escreve lá, compadre, não sejas tu preguiçoso. | ||||||||||||||||||||
Dinato: | Quê? | ||||||||||||||||||||
Belzebu: | Que todo o mundo é mentiroso, E ninguém diz a verdade. | ||||||||||||||||||||
Ninguém: | Que mais buscas? | ||||||||||||||||||||
Todo o Mundo: | Lisonjear. | Lisonjear: elogiar. | |||||||||||||||||||
Ninguém: | Eu sou todo desengano. | ||||||||||||||||||||
Belzebu: | Escreve, ande lá, mano. | ||||||||||||||||||||
Dinato: | Que me mandas assentar? | ||||||||||||||||||||
Belzebu: | Põe aí mui declarado, não te fique no tinteiro: Todo o mundo é lisonjeiro, |


2 comentários:
Uau poesia classica do Gil Vicente =o adoro ela também
bom acho que você sente falta das pessoas sinceras da são judas também...
Achei seu blog...
Tô rindo mtão KKKKK
Primeiro: sabia que vc era SEM-VERGONHA!!!
Segundo: Qdo a gnt fez esse comentário "mas td mundo faz assim"? nao lembro...
Terceiro: eu tô incluída no amigas fatecanas? rsrs
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