

"É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo."
Atualmente a morte é um dos grandes problemas da humanidade. Não a morte em si, mas a sua superação, uma vez que ela é inevitável.
Segundo o argumento de Tolstoi, reconstruído por Weber, a morte não tem sentido para o homem civilizado porque sua vida está imersa no progresso e no infinito e por isso não deveria ter um fim. Com a possibilidade de novos progressos, os homens passam acreditar que nunca atingirão o pico que se põe no infinito, antes as pessoas morriam velhas e cheias de vida, pois estavam perfeitamente inseridos no ciclo orgânico da vida, ou seja, elas não temiam a morte pois sabiam que a vida havia dado a elas toda a significação que podia e não existia para eles mais nenhum enigma que desejassem resolver.
O homem moderno, no entanto, nunca fica poderia morrer dessa forma, pois nunca vai estar pleno de vida, apenas cansado dela, pois vive numa sociedade constantemente enriquecida por pensamentos, experiências e problemas, não podendo, porém, se apossar de qualquer parte dos pensamentos, experiências ou problemas, pois não conseguira nunca captar tudo isso com seu espírito de forma definitiva.
Não tendo a morte sentido para ele, a vida também não tem.
O homem moderno não sabe mais viver e, portanto, não sabe morrer.
Já André Comte-Sponville, acredita que vivemos em constante angústia, uma vez que nascemos na angústia e morremos na angústia. Definindo o ser vivente como: “um pouco de carne oferecida a agressão do real” (p.11). Porém, essa angústia é o que dá a vida seu sabor de felicidade, uma vez que não saberíamos o que é a felicidade sem a dor, angústia de estarmos vivos.
A morte é como que um tempero para fazer da vida feliz, “a certeza da morte é o próprio sabor da vida, seu amargor essencial”(p.49), ou seja, sem o sabor do amargo, jamais saberíamos como é o doce. Sem a constante angústia da morte, não haveria a possibilidade de felicidade e viveríamos no tédio.