terça-feira, 7 de outubro de 2008

Sobre a morte



Atualmente a morte é um dos grandes problemas da humanidade. Não a morte em si, mas a sua superação, uma vez que ela é inevitável.

Segundo o argumento de Tolstoi, reconstruído por Weber, a morte não tem sentido para o homem civilizado porque sua vida está imersa no progresso e no infinito e por isso não deveria ter um fim. Com a possibilidade de novos progressos, os homens passam acreditar que nunca atingirão o pico que se põe no infinito, antes as pessoas morriam velhas e cheias de vida, pois estavam perfeitamente inseridos no ciclo orgânico da vida, ou seja, elas não temiam a morte pois sabiam que a vida havia dado a elas toda a significação que podia e não existia para eles mais nenhum enigma que desejassem resolver.

O homem moderno, no entanto, nunca fica poderia morrer dessa forma, pois nunca vai estar pleno de vida, apenas cansado dela, pois vive numa sociedade constantemente enriquecida por pensamentos, experiências e problemas, não podendo, porém, se apossar de qualquer parte dos pensamentos, experiências ou problemas, pois não conseguira nunca captar tudo isso com seu espírito de forma definitiva.

Não tendo a morte sentido para ele, a vida também não tem.

O homem moderno não sabe mais viver e, portanto, não sabe morrer.

Já André Comte-Sponville, acredita que vivemos em constante angústia, uma vez que nascemos na angústia e morremos na angústia. Definindo o ser vivente como: “um pouco de carne oferecida a agressão do real” (p.11). Porém, essa angústia é o que dá a vida seu sabor de felicidade, uma vez que não saberíamos o que é a felicidade sem a dor, angústia de estarmos vivos.

A morte é como que um tempero para fazer da vida feliz, “a certeza da morte é o próprio sabor da vida, seu amargor essencial”(p.49), ou seja, sem o sabor do amargo, jamais saberíamos como é o doce. Sem a constante angústia da morte, não haveria a possibilidade de felicidade e viveríamos no tédio.

10 comentários:

Anônimo disse...

Se bem que o tédio é quase inevitável aos intelectuais muito afortunados...

Mel disse...

Mas eu vivo entediada e não sou tão inteligente assim...

Anônimo disse...

Haha! Doce também.

Anônimo disse...

Penso que os intelectuais sejam mais ociosos do que entediados.

Uma mente culta nunca é solitária e, se ela for inteligente o bastante, pra aproveitar essa cultura, o que não vai faltar é aventura...

Despencando em um lugar comum: "você está onde sua mente está".

E sobre a dita cuja morte?

Faço minhas, as palavras do sr. Castro Alves:

"Se às vezes se te afigura
Que sou a foice impiedosa,
Horrenda, fria, orgulhosa
Que espedaça os teus heróis,
Verás que sou a mão terna
Que rasga abismos profundos,
E mostra biliões de mundos,
E mostra biliões de sóis.

Conduzo seres aos Céus,
À luz da realidade;
Sou ave da Liberdade
Que ao lodo da escravidão
Venho arrancar os espíritos,
Elevando-os às alturas:
Dou corpos às sepulturas,
Dou almas para a amplidão!"


Essas duas estrofes fazem parte de um magistral poema psicografado por Francisco Cândido Xavier e publicado na obra "Parnaso de Além Túmulo". Todo poema possui 15 estrofes.

En passant: pelo visto a patota do lado lá, tá mais viva do que "nois" do lado de cá...

Vale a pena dar uma conferida na obra. ;)

Beijões nas suas bochechas (de) Mel...

Anônimo disse...

Esse servo da gleba está em todos os blogs que leio, heim?

Anônimo disse...

Menos, dra. Thaís... Estou apenas em dois até agora... =)

Quem manda você colocar links para blogs com textos interessantes?

Sou um novato aqui na vizinhança, alguém tem que me apresentar o bairro. ;)

Anônimo disse...

É que só leio quatro, na verdade. Misterioso... E, de repente, eu fiz do guestbook da Mel um chat, hahaha!

Mel disse...

Tsc tsc tsc Thais...
Da proxima vez vc poderia me incluir na conversa...

Anônimo disse...

Mas, Mel, aqui o veredicto é seu mesmo! ;*

Mel disse...

Muito obrigada pela consideração...