terça-feira, 28 de julho de 2009

Sua morte está sempre com você...

Estou lendo a Luneta ambar de Phillip Pullman...
Não é exatamente um Thomas Mann, mas isso seria pedir demais. É um livro bem simples, totalmente contra a Igreja católica, onde uma menina, que supostamente será a nova Eva, se envolve em algo muito perigoso na busca pelo seu melhor amigo, levando-o a morte...
Nesse trecho ela está no mundo dos mortos, mas não pode entrar porque não está morta e acaba conhecendo outras pessoas como ela (não mortas).

— A sua morte diz a você? — perguntou Lyra.
— Diz. O que descobrimos quando viemos para cá, ah, isso faz muito
tempo para a maioria de nós, mas descobrimos que todos nós trazíamos o
espectro de nossa morte conosco. Foi aqui que descobrimos. Tinha estado
conosco o tempo todo, só que não sabíamos. Sabe, todo mundo tem sua morte.
Ela nos acompanha a todos os lugares, durante a vida inteira, está sempre por
perto. Os espectros de nossas mortes, eles estão lá fora, tomando ar, eles entram
de vez em quando. O da vovó está lá com ela, ele está bem perto dela, muito
perto.
— Isso não assusta o senhor, ter sua morte por perto o tempo todo? —
perguntou Lyra.
— Por que me assustaria? Se ela está por perto, você pode ficar de olho
nela. Eu ficaria muito mais nervoso se não soubesse onde está.
— E todo mundo tem sua própria morte? — perguntou Will, com
surpresa e admiração.
— Mas claro que tem, no momento em que você nasce, sua morte vem
ao mundo junto com você e é sua morte que o leva embora.
— Sua morte bate em seu ombro, pega sua mão e diz: venha comigo,
está na hora. Pode acontecer quando você está doente, com uma febre, ou
quando se engasga com um pedaço de pão seco, ou quando cai de um prédio
alto, no meio de seu sofrimento e de suas dificuldades, ela vem gentilmente
procurar você e diz: agora vamos com calma, calma, criança, venha comigo, e
você vai com ela num barco que atravessa o lago coberto de neblina. O que
acontece lá, ninguém sabe. Ninguém nunca voltou para contar.

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