terça-feira, 18 de maio de 2010

Apanhador no campo de centeio (J. D. Salinger)


O Apanhador no campo de centeio se passa em New York e conta alguns dias na vida do narrador, o adolescente Holden Caulfield. Expulso pela terceira vez do colégio e reprovado em praticamente todas as matérias, Holden decide sair do colégio antes da data prevista e fazer um passeio pela cidade enquanto pensa a respeito de sua vida, seus colegas do colégio e sua família, principalmente sua irmãzinha Phoebe, a quem venera.
            Holden está entediado com sua vida e inconformado com o mundo a sua volta. Cansado daqueles “adultos hipócritas” e de seus colegas que se acham o máximo e só pensam em tirar proveito das garotas, coisa que não faz por respeito ao sexo oposto. Também odeia ver palavrões pichados em muros e o cinema. Ele se sente perdido e tenta discutir sobre seus anseios e sua visão do mundo com algumas pessoas, que nem sempre o entendem, pensa até mesmo em fugir para alguma cidade pequena e trabalhar numa fazenda ou morar numa cabana, onde ninguém o incomodaria, porém, prestes a fugir, ele se encontra com sua irmã (“é cem por cento”), que pressentindo que não o veria por muito tempo prepara-se para ir embora com ele. Holden muda de idéia após a surpresa e resolve ficar, não quer que a irmã desista de qualquer coisa por ele.
            O livro é narrado pelo próprio Holden utilizando a linguagem coloquial e é uma transcrição exata dos seus pensamentos, às vezes, pulando de um para outro, aparentemente sem relação alguma. Mas, foi exatamente por isso que se tornou o clássico que é hoje, por retratar fielmente o adolescente, de 50 anos atrás. Um adolescente que fala palavrões, odeia os adultos e se recusa a fazer parte do mundo deles, um adolescente universal, que até mesmo hoje se identifica com o livro. A linguagem, moderna e coloquial, foi uma grande inovação para a época, assim como o próprio personagem principal, pois foi a primeira vez que alguém se preocupou em retratar um adolescente como ele realmente era: alguém grande demais para ser tratado como criança e imaturo demais para ser um adulto. Antes da publicação do livro não havia nos EUA, ou mesmo no resto do mundo, a cultura jovem.
            Ao mesmo tempo em que a linguagem do livro e seus personagens foram uma inovação, foram também alvos de duras críticas na época, pois se acreditava que o livro era uma tentativa de corromper a juventude americana e tirar a inocência das crianças, através de seu teor pornográfico (a palavra fuck é muito usada no texto original). Porém, se trata do contrário, é justamente essa inocência que Holden tenta preservar, como se pode observar na passagem que ele tentar limpar um palavrão escrito na parede da escola onde a irmã estuda. Talvez por causa dessa interpretação as escolas demoraram a dar atenção ao livro e por muito tempo ele foi banido das bibliotecas e salas de aula.       
            Sua narração é sincera e por vezes, cômica e irônica. Não chega ser uma obra pessimista, mas o pessimismo e inconformismo estão presentes em toda a obra, ajudando a manter o ar de juventude eterna do texto, beirando ao romantismo.
            Holden pode ser descrito como um bom menino mau, pois apesar de sua rebeldia, aparentemente sem causa, ele limpa palavrões escritos na parede, dá dinheiro para freiras, fica deprimido por ter colegas de quarto que não possuem a mesma condição financeira que ele, afinal de contas, é apenas um adolescente que busca alguma compreensão do mundo e acaba encontrando ao final do livro, enquanto observa sua irmã andar de carrossel, depois de desistir de fugir.

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